...é só o que sobra. Por fim, temos que, a partir de uma fala que acha ininterruptamente, que só acha, acha, acha, acha, acha, sem parar, acha, acha, acha tanto que enjoa do que sempre acha, achismo serializado e tedioso, não há o que dizer. A pulsão de achar é grande, ela disse, ela só acha: "Eu só acho que...", sem parar. Foi quando, naquela mesa, só se achava, disse, finalmente: "na medida que você não ouve o que eu digo, você só acha e vai achar muito mais", "me ouça, se você não ouvir o que eu digo, vai ser um sem fim de achismos, o que está sendo dito aqui é justamente o contrário do que você está dizendo, acho que, no mínimo, você deveria ser sensível ao que eu digo agora, para, por fim, começar a achar alguma coisa". Era dito o que se acha e mudava-se de assunto quando o interlocutor se pronunciava. Eu digo: "foi assim: ela...". Ela dizia (não a "ela" da minha história, mas a "ela" que só achava): "tenho que ir...". Olhe, pare. Pare e ouça. Que espécie de diálogo é esse? Minha nossa senhora, só falo, sem considerar? Que apreensão de mundo é essa? Que onipotência perceptual é essa? Haja visto um des...