...se passa assim, basicamente, da impossibilidade de, ao dizer, dizer. É, isso. Cícero, você diz que... Mas, cadê Freud? Percebo que os clássicos são importantes, como você bem disse no seu artigo (Folha de S. Paulo), então... cadê Freud? O velhinho já era velhinho em 1920, isso faz dele um clássico? Ah, só são clássicos os muito, muito velhos? Ah, então é uma questão de tempo cronológico? De maneira nenhuma? Ok, então, cadê Freud? Não há dúvidas, duvide-se de Freud ou não que, ao se ufanizar a Razão como fundamento último, há que se falar de Freud e no corte que ele opera na noção de Razão. Filosofia e Psicanálise, sabe-se o quanto esse assunto é amplo. O que fazer depois de Freud, perguntaram alguns filósofos. Claro, não falar de Freud é completamente legítimo. Se você, Cícero, quiser ignorar Freud, tudo bem, ignore, mas, pelo menos, então, não pense estar sendo tão universalista assim, se referindo à história universal, da filosofia à Darwin.... sem falar de Freud. A Razão como fundamento último. E o Inconsciente... Pro inferno da Razão com o Inconsciente, ok, mas nem uma citaçãozinha? Nem uma linha? Sem querer ser chato, mas Descartes e Montaigne, sendo contemporâneos à Freud, não fariam como você, que o ignorou, posto que a tarefa destes dois era de investigar o contemporâneo e o problematizar. O que, geralmente, faz o filósofo com seus tempo, mesmo que o que proponha seja [ex]temporâneo, o faz problematizando, necessariamente, também o seu tempo.