Olha, o que tem que se fazer numa hora dessas? Não, nada fiz. Nada. E agora, o que fazer? Quis publicar a história, decorei as falas. Pensei que devia estar anotando. O quê? Escrever aqui, pra quê? Uma referência histórica? Bom, então, consta aí a necessidade de anotar a data, identificar o evento. Mas... e não daria problemas? Então farei tudo como ficção. Mas não perde a força não? Afinal, realidade é realidade. Mas passou por mim, não anotei. E as minhas impressões? Mesmo que eu não quisesse colocá-las, elas estariam colocadas. Me escrevo. Ficção. Mas, ainda, escrever, pra quê? Contei a história assim que soube. Nem chocou tanto como havia me chocado. Bom, mas eu estava lá. Era menos incomum do que eu achei? Provável. Mas aí, tentei florear, aliás, narrar o mais próximo possível da verdade. Verdade? Sim, verdade, narrei. Quando narrei, passou. Aliviou a necessidade que se abatia de escrever, de contar aqui. Contar a ficção daquela noite. Avenida Beberibe, após a garagem da empresa São Paulo. Como quem vai para o centro, oeste-leste. Conto, esta ficção, depois.