"Aprendi o segredo da vida vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar/ que sonham sozinhas no mesmo lugar"
(Medo da Chuva, Raul Seixas e Paulo Coelho.)
(Medo da Chuva, Raul Seixas e Paulo Coelho.)
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Como? Bom, aí você quem diz. Ou cala. De um jeito ou de outro, é você quem assume o "como" da pergunta. O que lhe demanda é o movimento. Nômade. Nem se usa o pé se não quiser. As pedras, chorando no mesmo lugar, sozinhas, são a imagem do imobilismo e do deixa-assim-mesmo assumido como modus operandi hegemônico. É a identidade que aflorou, finalmente. Barrou, freiou, congelou, estabilizou o sujeito que podia criativizar, gerar algo, movimentar-se. Permanece. Essência. Completamente contra a fotografia, nenhuma cena congelada. Pro inferno com o "eternamente". Isso é uma ilusão. Não há memória possível assim: Uma série de gavetas?
Gotas de identificação. O problema são as amarras. Dói ser estratificado radicalmente e poder viver só isso. O que me foi dado. O que me foi destinado. Uma caixa de correio que só recebe. O celular pai-de-santo. Só receber. Pelo menos recusar, recusar receber: o mínimo de movimento. Mas poder circular é mais que permanecer engavetado. Cair, rastejar e implorar por um caminho, por uma identidade, por uma questão na qual eu vá circular a minha vida inteira? Quero milhares delas. Por várias identidades. Por questões a minha vida inteira. Circular e parar em milhares de portos. É sonho? Mas a realidade do desejo explode com o sonho e com o Idealismo. Sem querer, vou estar produzindo. Vou ser uma caixa de correios, um saco de batatas, uma gaveta, mais uma gaveta, ou vou ser qualquer coisa? Um dia na semana, uma fotografia. Milhares delas. Ser a chuva que caiu na ponte quando eu atravessei. Sem dúvidas, fui isso também. Fotografias interativas. A memória desencavada já foi devorada por vermes e já está desfigurada. Ou ainda, Transfiguração Criativa. Buscar uma memória agora, é uma experiência criativa em relação com o próprio agora. Busca-la, sair daqui e ir para lá é não chegar nem sair, rememorar é outra coisa. A realidade das coisas é saber que nem a memória permanece. Como se quer encontrar a essência daquilo? Tudo se transforma, o tempo não pára, vai para o lado e evolui. Involui. Imperativo do movimento, para além de ser um sujeito, um eu.
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Imagem: "The City of the Drawers" de Salvador Dali.
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Gotas de identificação. O problema são as amarras. Dói ser estratificado radicalmente e poder viver só isso. O que me foi dado. O que me foi destinado. Uma caixa de correio que só recebe. O celular pai-de-santo. Só receber. Pelo menos recusar, recusar receber: o mínimo de movimento. Mas poder circular é mais que permanecer engavetado. Cair, rastejar e implorar por um caminho, por uma identidade, por uma questão na qual eu vá circular a minha vida inteira? Quero milhares delas. Por várias identidades. Por questões a minha vida inteira. Circular e parar em milhares de portos. É sonho? Mas a realidade do desejo explode com o sonho e com o Idealismo. Sem querer, vou estar produzindo. Vou ser uma caixa de correios, um saco de batatas, uma gaveta, mais uma gaveta, ou vou ser qualquer coisa? Um dia na semana, uma fotografia. Milhares delas. Ser a chuva que caiu na ponte quando eu atravessei. Sem dúvidas, fui isso também. Fotografias interativas. A memória desencavada já foi devorada por vermes e já está desfigurada. Ou ainda, Transfiguração Criativa. Buscar uma memória agora, é uma experiência criativa em relação com o próprio agora. Busca-la, sair daqui e ir para lá é não chegar nem sair, rememorar é outra coisa. A realidade das coisas é saber que nem a memória permanece. Como se quer encontrar a essência daquilo? Tudo se transforma, o tempo não pára, vai para o lado e evolui. Involui. Imperativo do movimento, para além de ser um sujeito, um eu..
Imagem: "The City of the Drawers" de Salvador Dali.
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