segunda-feira, 9 de junho de 2008

O Riso

Eu leio rindo. Eu escrevo rindo. É pra ler e pra rir. Foucault disse: isso tudo é uma grande brincadeira (Em "Microfísica do Poder", quando respondia pra J-A. Miller, o chato do sobrinho de Lacan). E ele se referia objetivamente ao seu último livro na época, "História da Sexualidade" - mas não só. Rir e ler coisa séria. Coisa nem tão séria pois já abre pra o riso. Eu digo rir com. Eu rio com fulano, com a obra tal. Fui para uma mostra de filme um dia desse e acabei sendo obrigado a ver um filme aí, nem vale a pena dizer o nome, eu ri do filme. O que é uma tristeza - pra o filme claro. E um constrangimento pra mim... Não pude evitar isso. Mas que eu ri muito eu ri. Rir de fulano talvez não seja tão gostoso quanto rir com. Dá pra entender a diferença né? Rir com é um agenciamento de alegrias múltiplas. Rir de é violência. Eu rio com Deleuze, com Guattari. Leio a obra deles e não posso de me alegrar, de rir, uma única vez. O desafio das ironias. Nem que eles deixem de esboçar quaisquer sorrisos, eu sei da ironia. O riso é incontido. Não tem como não pensar hoje no sorriso de Travis, protagonista de Taxi Driver. Pode ser o da primeira cena, quando diz que a sua consciência tá tranquila. Pode ser quando pergunta para o Agente Secreto quais armas ele usa... o que ele tá fazendo ali... Os sorrisos são maravilhosos. Ironia. Alegria de poder soltar o esboço de um sorriso, no mínimo.
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