quarta-feira, 11 de junho de 2008

Contribuição às Lições de Psicanálise: A Broa

Dizem, na psicanálise lacaniana, a estrutura neurótica ser a normalidade. Esse neurótico que somos todos nós, dizem eles, é caracterizado por um eterno retorno ao que deu início a sua possibilidade de falatório livre. Isso é importante nessa caracterização. A entrada numa ordem além da idiossincrática, além do euzinho fechado, além da imaginação, permite ao sujeito a diferença. Permite a entrada numa outra coisa que não seu mundinho fechado. Essa ordem de coisas diferentes nos dá, principalmente, uma possibilidade de falar de forma livre na nossa língua. Fazemos metáforas, temos humor, etc. Essa abertura é inaugurada pelo que Lacan chama S índice 1. Explicando: se a estrutura da normalidade é sempre em volta do que lhe inaugurou, ela é circular, certo? Houve uma inauguração e agora o sujeito roda alegremente em volta dum círculo. O que eu quero trazer aqui é a imagem de uma broa, pra facilitar as coisas. Todos conhecem a broa, certo? O importante é a broa aqui de Pernambuco, pelo menos, a que vemos constantemente aqui, um círculo com uma bolinha de goiaba no centro. A goiabinha da broa seria esse S índice 1 lacaniano. O sujeito come a broa sempre procurando chegar na goiabinha do centro. O que equivale a dizer que o sujeito circula no espaço linguístico sempre se remetendo ao convite que lhe foi estabelecido à diferença simbólica. Essa imagem da broa (broa de PE, no mínimo) é o que marca a estrutura neurótica - a "normalidade" - na teoria de Lacan.
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