quinta-feira, 19 de junho de 2008

Depois da Chuva


Esse filme é belíssimo. A obra de Kurosawa ainda encontra ressonância nessa filmagem de seu roteiro por Takashi Koizumi. Depois de sua morte, teve o seu roteiro acolhido por Koizumi e tratado de maneira explendorosa, de uma beleza e delicadeza que me impressionaram bastante. Principalmente (se posso usar essa palavra!) gosto da delicadeza de como a história é contada. A escolha do elenco é sedutora, não à moda sofista, mas uma sedução de entrega passiva por nossa parte, aos personagens. Mais entrega - sobretudo por sua posição de "protagonista" - ao samurai (Ronin e pobre) Misawa. Seu rosto impassível, ora triste, ora feliz e a pouca mobilidade entre uma coisa e outra, faz de nossas experiências frente a suas expressões experiências complexas, contraditórias, apaixonadas. Sua esposa e seu amor por ele, as poucas palavras entre o casal e as dúvidas para Misawa desta relação são espetáculos que, à nós, resulta em satisfação. Esta, aliás, pedida por Kurosawa. Segundo Takashi Koizumi: "Nas anotações que Kurosawa fez em seu roteiro de Depois da Chuva, ele escreveu: `Deve ser uma história que, depois de ser vista, faça você se sentir satisfeito'. Já faz um ano que ele morreu. Com minha pequena equipe e elenco, eu filmei o roteiro de Kurosawa da maneira como ele queria e com o sentimento de gratidão por sua obra". Me considero feliz ao sugerir esse filme a quem me lê.
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Imagem: Cena do filme "Depois da Chuva" e Akira Kurosawa quando jovem. Ambas imagens capturadas no Google.
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