sexta-feira, 20 de junho de 2008

Uma Introdução e uma Poesia

Não me agrada muito escrever sobre o que eu escrevo, ainda mais se é poesia. Me agrada muito menos a idéia de ensinar a alguém como ler alguma coisa que eu tenha escrito ou recomendar algum método. Explicando a explicação: Eu pretendo dizer a cena que originou essa poesia e gostaria de recomendar como lê-la.
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(Há riscos inerentes ao ato de alongar-se e não mostrar logo o pretendido, mas eu topo o risco!)
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Primeiro de tudo, eu estava no Recife Antigo, saindo da Livraria Cultura do Paço Alfândega, depois de uma palestra/debate sobre Maio de 68. Depois de Marcuse, desejo, políticas, ditadura, revolução e Benjamin, eu fui pra casa. Estava chovendo muito, mas muito mesmo e pretendi seguir assim mesmo. Fui pra casa atravessando uma das pontes mais bonitas do Recife numa chuva absurda, com um guarda-chuva diminuto, vendo o rio embaixo de mim balançar muito e sentindo a toda hora a minha sandália deslizar no meu pé (ou seja, eu estava escorregando muito!). E via a chuva com vento que me atingia, via mesmo, e punha sorrisos nisso! Não via ninguém ao meu redor, nem civil, nem polícia, nem suspeitos, nem ladrão, o que de certa forma aumentou a adrenalina da travessia. Enfim, cheguei ao pretendido lugar com uma experiência curta e aparentemente sem importância, mas de uma poética absurda pra quem pode ver (disseram uma vez que a câmera fotográfica ensina a ver o mundo sem uma câmera, não tem frase mais correta, definitivamente).
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Já em casa, fiz a poesia na cabeça e passei pro papel. Compus e gostaria que fosse lida, de preferência, com algum sotaque pernambucano. Não forçado, de jeito nenhum, mas o que sai mesmo de quem acha que não tem. Não, não pode ser só lida, tem que ser falada, daí o sotaque ser importante. Falada. Como declamada. É isso, tem que ser declamada por algum Pernambuco.
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Sem mais, à poesia...
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Sobre mim, a Chuva
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Eu fui ponte e eu fui chuva
Eu fui até a chuva
E lá eu disse a mim mesmo,
enquanto chuva,
Que eu era belo
Que eu chuvia
E que não tinha guarda-chuva
Que me parasse enquanto chuva
Que me guardasse enquanto outra coisa, que não chuva.
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