Da forma mais fácil possível, pretendo aqui contribuir com ferramentas que tornem cada vez mais fácil a compreensão da psicanálise lacaniana. Essa tese de hoje, em especial, é original, ou seja, foi criada por mim, se trata de uma tese nova, dentro da lógica do surgimento do sujeito na psicanálise lacaniana. Antes, algumas linhas sobre a constituição do sujeito: como nos tornamos quem somos? Porquê não ficamos loucos? Pretendendo responder de maneira fácil e grosseira a essas perguntas ruins, começo: O bebê dispõe de um mundo muito limitado, à princípio. A mamãe sabe tudo o que ele quer e ele completa a mamãe no que ela quer. Temos uma situação de completude, tanto de um, quanto de outro. Ponto importante, essa é uma relação entre-dois. Esses personagens são super felizes, têm tudo. A permanência nessa situação, para o bebê e, depois, para a criança já mais crescidinha, leva à loucura. Como não ficar louco? Para não ficar louco, a relação tem que se abrir, sair dessa relação bebê-mamãe e se abrir à relação bebê-mamãe-papai. Antes de surgir papai eu disse que o mundo do bebê era muito limitado. Com a abertura da relação de antes para essa, com papai, o mundo do bebê fica maior. Ele pode entender mais coisas. Pararei de chamar de bebê, chamemos de criancinha. O papai só entra nessa relação entre-dois se mamãe deixa. Pronto, é por aí. De um dois para um triangulo. Mas o detalhe que eu venho trazer é o seguinte, esse papai que mamãe deixa entrar é um papai simbólico, chamo de papai o que pode ser qualquer coisa que demonstre que mamãe não é da criancinha e vice-versa. O que chamo de papai aqui é o que faz a mãe desviar a atenção da criancinha. Dá pra entender né? A grosso modo, seria isso. A minha contribuição é a seguinte, estando numa relação entre-dois, mamãe e criancinha se separam. A mãe que deixa o Outro entrar, certo? Como ela se desvia de uma relação de completude para apontar para o lado e dizer para o bebê e para si: "Preciso de outra coisa", como? Um dos fatores responsáveis - um dos mais responsáveis, eu diria - por não sermos todos loucos ou seja, a maioria de nós se separou dessa relação de quase-síntese, é a TPM feminina. Esse fenômeno faz as mulheres se virarem para outra direção, elas que quase-enlouquecem. Quando nesse estado, não se pode mais estar em quase-síntese com absolutamente nada. A TPM é nossa fábrica de "normalidade". Deu pra entender?
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Tudo isso a grosso modo, a grosso modo...
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Tudo isso a grosso modo, a grosso modo...
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