Talvez não haja, assim, um prazer imenso, mas há algo, como, como dizer? Algo como uma coisa boa, eu poderia dizer prazer, porque não? Adoro a forma como tomamos de assalto a gramática. Dizer prazer, mesmo não sendo prazer, e ser prazer porque dizemos que é prazer. Não ser lido é uma experiência que, embora não dê pra compartilhar porque, afinal, não sou lido, eu diria não ser de todo ruim. O objetivo do blog é muito mais de mim pra mim, de mim pras pessoas imaginárias que eu crio misturando todas as pessoas que eu conheço, do que uma comunicação objetiva com alguém. O que, de qualquer modo, não explica absolutamente nada. O que, aliás, é um ponto importante dentro da noção de não ser lido. Não ser lido compensa não ter apontados contra sensos. Somos contraditórios a maior parte do tempo. Pode chamar de cínico. Eu chamo de contraditos. Não ser lido é paz, não ser lido é um narcisismo dos maiores, afinal, se eu escrevo e sei que não sou lido, pra quem escrevo senão pra mim? Eu estou lendo uma linha por aí e escrevendo dez. Se eu não escrevo, explodo. Imaginem só. Prefiro os pedaços dos meus eus aqui online. Prefiro não ser lido mas com a chance de alguém ler um dia um pedaço de mim, prefiro dar esse prazer a alguém um dia, do que apodrecer num caderno. O prazer atual de não ser lido é não ter sido descoberto ainda.
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