Quando vi esse filme de Bertolucci, gerou-me um incomodo imenso uma das falas que vi/ouvi. Fabrizio del Dongo - que se pode dizer: protagonista - disse algo assim: Como fazer uma revolução, como uma revolução é possível se dentro de cada proletariado mora um burguês? Não respondi esta questão - e, quando responder, desconfiarei - mas consegui traçar algumas cartografias (de) possíveis dentro da confusão que se instaurou em mim naquele momento. Na época eu não tinha lido nada sobre Esquizoanálise e, para além da Psicologia e Psicanálise, me preocupei muito com a questão da Revolução. Marx e seus companheiros do marxismo me influenciaram bastante naquela época mas... Essa pergunta? No mínimo fiquei sensibilizado. No mais, desestabilizado - bom! A saída é procurar alguma resposta no psiquísmo... Ora essa, "dentro de cada proletariado" é dentro, no fim das contas! Pensei eu assim. É psicologismo agora é? Reneguei. Só sei que Jung acerta quando fala - ele ainda fala - do sincronismo pois, depois de me debater nos não-sentidos, me encontrei nessa época ou um pouco depois com o livro de Guattari "Revolução Molecular". O livro foi puro estranhamento de início. Confesso que depois também, talvez não puro. Sei que ainda há estranheza na nossa relação. O mais importante destes questionamentos que foram produzidos é que houve produção. O desejo individual (palavra de caráter provisório) está apontado para caminhos sociais e históricos. Para coletividades. Os apontamentos que Fabrizio faz são das condições subjetivas que os sujeitos proletários estão imersos. Vemos ao longo da história as utopias comunistas, por exemplo - para citar algo contextualizado -, levantarem uma redoma ideológica de violência física, inclusive, ao redor dos indivíduos para estes, que desejam a história, que desejam o socius, não desejarem o capitalismo. Como já dito outra vez, o desejo não encontra limites e, o feito então, foi aumentar as doses de repressão para esses desejosos-corajosos-imbecis. A xeque-mate nesse jogo-da-velha foi marcar o lugar estratégico-óbvio o mais rápido possível. Guattari trás, para refletir juntamente com a noção de revolução, a noção de revolução molecular. A partir de uma concepção de política-micro, desenha a necessidade de pensar os Inconscientes desejosos dos que pretendem a revolução. Por uma vida menos fascista, diria Foucault certa vez. A auto-sabotagem está presente nos que se engajam, daí a necessidade desta "análise para revolucionários". Sua proposta vai tomando corpo juntamente quando do encontro com Deleuze (e suas formulações filosóficas) e com o clima de Maio de 68 - mas não só. Há o abandono da Psicanálise mas há o roubo do Inconsciente dos psicanalistas. É lançada por eles a proposta de uma Micropolítica, noção que ilumina a problemática dos que pregam para os outros (e para si em níveis Conscientes, Pré-conscientes) e se auto-sabotam e sabotam os ditos "seus companheiros" (subjetivamente e/ou objetivamente falando). A esquizoanálise é ela uma análise para os revolucionários. Uma cartografia do desejo. Sem dúvida o mal-estar do questionamento (de quem se desilude) de Fabrizio é presente ainda.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Antes da Revolução e a Micropolítica
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