O lugar da clínica psicológica é clínica de reparos. O operador maior desse colocamento nesse lugar - a Mãe, o Uno-Todo - é o capitalismo. A clínica é reparar conexões perdidas entre sujeitos que, unidos, são bons para a ordem social. A clínica - e precisa remeter à Foucault? - é datada e tem função ortopédica-mental. Pobre de mim que só no curso das coisas me dei conta disso... No fim das contas (agora), estou nessa nesse momento (um "aqui-e-agora" tipicamente rogeriano ou um "aqui? e agora?"). Além de explodir e boicotar as clínicas psicológicas e as cabecinhas cínico-psicológicas, andei por procurar (mentira, foi o tal do sincronismo junguiano!) uma anti-clínica dentro da própria Psicologia Clínica - esta, animalzinho domesticado do Capital - e achei (achei mesmo? rocha? imobilidade? duvido...). Achar não é parar. Achei a problemática da qual me atraí. Rolou aquela química, tesão; ou seja, rolou produção - movimento. A anti-clínica no que é convencionalmente apontado como Psicologia Clínica (um todo) é uma possibilidade. É o "um pouco de possível" foucaultiano para nós respirarmos - nos é necessário respirar! Podemos traçar linhas de fuga no melhor estilo do que Kafka fez em "Discurso para uma Academia", publicado no Brasil no livro "Médico Rural" (número 6 se não me engano). Antes de abandonar a clínica, antes do suicídio - intelectual, político - há devires de possíveis.
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