quarta-feira, 5 de março de 2008

De Tragédias Cotidianas - Parte II

Esse ideário citado anteriormente, convive aqui, de maneira não pacífica, lado-a-lado com a noção de tragédia - a grega! Há uma angústia de querer que as coisas sejam fáceis, de que haja final feliz, de que o amor-fati nietzschiniano seja uma decisão consciente e uma opção esclarecida por parte do sujeito.
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Não é só o desejo de ser feliz à todo custo, mas angústia. E dessa forma... Só o desejo poderia trazer angústia por si só, enquanto desejo, pois seria a eterna busca de uma incompletude que nunca poderia ser alcançada, como também Lacan nos mostra. Há o desejo. E a minha angústia surge por saber, realmente saber, que o contraponto ao final feliz e atemporal que tanto achamos que vivenciamos - que tanto queremos - é a situação existencial radical da tragédia. Em outras palavras, há dor em ver o desejo sambar num labirinto infinito que, fundamentalmente está lá, mas o desejo nega a permanência deste labirinto!
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Essa existência em mim, de um Eu que é vários, muitas vezes me chateia, na acepção mais tediosa da palavra chatear. Mas o que eu faria? Vou mentir também? Numa linguagem dialética-frouxa, admito que há esse desejo tosco e auto-facista de vivência plena no sujeito da consciência, no sujeito suprimido em sua liberdade pelo ideal tecnocrático-científico, mas convive com uma antitese não-facista de esclarecimento e liberdade pelo amor-fati nietzschiniano de trágedia. Convive com uma re-vivência dionisíaca, ao contrário do ideal racional-apolíneo da contemporaneidade. E ponto importante: o movimento dialético da antitese - e aí eu explico a razão da minha dialética ser frouxa - é vencedor na hora de uma síntese. Ou seja, eu pendo para o lado que me interessa mais, onde eu melhor vivo, que é a noção de Inconsciente, de Tragédia Grega, de uma abordagem inspirada em Nietzsche.
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Acho que o grande movimento é transcender à subjetividade tradicional e se abrir para essa outra esfera de significação. Como? O grande drama - poderia-se falar assim - é que só racionalismo e decisões objetivas não bastam! Para o sujeito não basta dizer um grande sim - ou um grande não. Ele tem que trabalhar-se, ser ativo no processo de busca por um mínimo de auto-conhecimento anti-alienação.
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(Continua!)
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