quarta-feira, 5 de março de 2008

De Subjetividades e Cantorias - Parte III

O caminho do evitamento do cinismo é doloroso. A transformação da subjetividade pode não ser possível completamente, a abertura para motivações inconscientes pode não ser completa, mas minimamente, ordinariamente, é possível esse movimento qualitativo de mudança de atitude... De criativizar!
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Não ir para uma outra categoria de comportamento, mudar de estado, evoluir - literalmente. Porém caminhar nessas escalas de cinza. Senão haveria uma negação da tragédia em prol de um american way to happiness life, em prol de um possível - provável! - estado de situação evolutiva sintética e permanente! (Faça-me rir!)
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Édipo não negou sua responsabilidade. Admitiu e furou seus olhos. Mas houve para ele uma redenção final e salvadora? Um gozo pleno? Édipo, ainda cego, . Permanece vivo e se retira. Ele não se suicida a fim de sumir, de uma redenção, se martiriza por perceber responsabilidades e implicações em sua biografia e segue para fora da cidade, para vagar em outros ares.
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Há, de alguma forma, nessa atitude, uma afirmativa da continuidade da vida. Dá pra abarcar esse raciocínio?
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Tratando dessas coisas, eu lembro do nascimento do Blues. A cantoria e a fala, o "lamento" como via de sobrevivência do humano. Realizava-se a música em contraponto ao silêncio, a dor pedia para ser "diluída" através da experiência estética. Pelo menos ali, naquele momento histórico. Pelo menos um pouco.
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