terça-feira, 4 de março de 2008

Comunas

Em estudos realizados envolvendo grupos e hoje em dia ainda utilizados na psicologia social - sobretudo a americana -, chegou-se à conclusão que a responsabilidade sobre uma coisa qualquer era diluída pelos seus integrantes, resultando que ninguém mais a percebia como sua. Os sujeitos não se observavam como responsáveis por aquela coisa pois cada um pensava que o outro iria assumir a responsabilidade, resultando em ninguém assumir essa responsabilidade.
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Em certos casos, realmente dá pra perceber esse movimento. O problema é que essa diluição de responsabilidade não deve ser assumida como natural nos grupos sociais. Ela é necessariamente dependente do tipo de cultura onde o grupo está inserido.
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A provocação de hoje é justamente pensar numa coletividade onde a coisa RESPONSABILIDADE seja, não diluída, porém compartilhada entre todos. Uma comunhão onde os atores não se digam: "alguém vai assumir essa batata!". E sim onde cada um atue (no sentido de ir para o ato) e a busque para si. Uma responsabilidade num sujeito que participa de um grupo não-agrupado, é sentida de maneira - fortemente - individualizada por esse sujeito. Uma coisa compartilhada e não necessariamente diluída pejorativamente contribui para nos des-enganar da noção contemporânea de hiper-individualidade.
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Eu imagino que um arranjo em comuna disporia dessa dinâmica de assunção coletiva de responsabilidades.
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PS: O que fazer com as subjetividades radicalmente capitalísticas de nós todos?! Negar ou ver-se inscrito nisto - e, após enxergar assim, poder fazer algo?
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