Eu quero continuar a tratar do desenrolar desses temas citados, mas agora eu acho importante - importante pra mim pelo menos - citar quem escreveu umas coisas que eu me identifiquei bastante: Nietzsche.
.
"Também me parece que a palavra mais grosseira, a carta mais grosseira, ainda é mais bondosa, mais honesta que o silêncio. Àqueles que silenciam quase sempre lhes falta algo em fineza e polidez de coração; silenciar é uma objeção; engolir sapos faz, irremediavelmente, um mau caráter - e inclusive estraga o estômago..."
.
Sempre que eu leio ou lembro dessa passagem, me vem a cabeça que o discurso nietzschiniano aí não pode ser utilizado, por mim, para uma defesa-pela-boca-dos-outros. Eu não poderia, rigorosamente, citar essa passagem e gozar com ela, no sentido de me ver livre de qualquer peso. Antes, essa passagem é dura - por conta do meu egoísmo e do meu narcisismo - primeiramente comigo! E, só depois, - e aí está o gozo - é dura também com outros. Essa passagem me acorda, me esclarece.
.
Eu, à princípio, tendo a me ver aliviado depois de lê-lo dizendo estas palavras! Mas no mesmo momento eu me recordo o quão é doloroso apontar e ao mesmo tempo se ver apontado - e por você mesmo! Mas a ação, o meu não-silenciar, está se movendo, está em queda. Estou, utilizando a imagem que Milan Kundera sugere, sentindo o peso do Ser. E digo: Ainda bem!
.
Como eu disse ali, essa passagem me acorda, me esclarece! Além de satisfação ao ler essa passagem, eu sinto a responsabilidade. A responsabilidade de assumir esse peso do Ser.
.
Transmutar o peso numa insustentável leveza do ser.
.
Eís aí, então, o Homem.
.
PS: Um dos pontos que eu considero importante neste texto é a citação. Reflitir sobre essa citação, eis! Os textos anteriores, partes I, II e III, desenrolam-se sobre essa citação. Principalmente a questão do Cinismo, que está intruncada com a imagem destas palavras de Nietzsche. Na verdade, toda a produção deste Blog até este Post está intruncada nesta filosofia do não-silenciar.