terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sobre Silêncio, Mentira, Cinismo e o Tempo - Parte III

Imagino o seguinte... O sujeito vive uma coisa qualquer... Resolve silenciar e não se comunicar com o outro. Aí vem com o silêncio, o cinismo.
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Vem na minha cabeça uma música da Nação Zumbi, do último CD, o FOME DE TUDO. O título é bem significativo agora: TODA SURDEZ SERÁ CASTIGADA. Será castigada por conta dessa mentira-voluntária. Nietzsche também apareceria bem agora... Essa mentira-cínica é uma espécie de Idealismo. E, assim, sendo idealismo, condenável.
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Idealismo? É! Esse cinismo silencioso e covarde é assim pois conta com a ação do TEMPO. Crê-se, nesse idealismo, que as coisas PASSAM. Se trata de uma visão de História que pode ser comparada a um livro sendo lido por uma pessoa desmemoriada, ou seja, o que passou é uma página virada. Depois da página virada, não há mais pelo que sofrer, pois já passou. E o que passou, passou.
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Mas isso é um erro absurdo! Pois se trata de acreditar que o Tempo é pró-ativo em fazer-se esquecer. O Tempo cuidaria de consertar o problema: "Vou silenciar. Vou calar e fingir que nada aconteceu. Vou fugir e o tempo cuida disso. O tempo vai passar, como as páginas de um livro - página virada! - e tudo vai ficar bem (ou pelo menos haverá o esquecimento)!".
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Sem condições...
Tem coisa mais patética?
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Eu vou contrapor essa visão de História de coisas evoluindo, passando, com uma visão de História tal qual Deleuze e Guattari sugerem no primeiro capítulo de Mil Platôs, uma visão Rizomática.
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Grossíssimo modo: O Tempo é como um movimento sem uma direção. Um movimento multidimensional. Na realidade, seriam movimentos múltiplos e sem organização. Uma rede com diversas ou infinitas camadas, infinitos cruzamentos em infinitos pontos.
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As implicações de pensar no TEMPO e na HISTÓRIA dessa maneira seriam as seguintes... As coisas não somem, há memória! Então se exige algo a mais do indivíduo, uma afirmação da realidade. Não é uma escadaria. Não há páginas viradas. Todos os fatos vividos estão aptos a virem à memória, virem à consciência como se fossem HOJE. A relação com essa visão histórica é um grande não à fuga, é um enfrentamento. É o amor-fati nietzscheniano. Uma atitude não cínica seria dizer sim à vida, afirmá-la.
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O tempo não é uma linha reta, são diversas linhas em diversas multiplicidades. Essas nos cruzam a todo momento e a fuga é justamente fechar os olhos.
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Há de se admitir o que se está aí! Pois toda surdez será castigada! Toda cegueira será castigada!
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Abraços!