segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Marcelo Camelo

Primeiro show de lançamento do Cd "Sou/Nós" foi aqui em Recife, fomos todos, fomos umas duas mil pessoas. Pensamos e confabulamos, a partir de uma cena vivenciada: queriam (a produção do evento) todos sentados, alguns de nós queríamos os da nossa frente, sentados. Dissemos que havia um quê de João Gilberto ali, o velho bobão e babão e reclamão. Marcelo quer ser como ele? Pensei: "meu Deus! Que anacrônico!". Não sei se ele quis assim, disseram que ele teria dito que queria tocar pra público sentado, tudo bem, até que funciona, mas não adianta querer que o público sente se o público não quer sentar, essa de mandar sentar não funciona, quem escolhe é o povo, não o artista. Joãozinho toca pra todos sentados porque fica, assim, mais fácil pra dormir. É o contrato com o público dele, outros velhos babões. Nunca, nem se Marcelo Camelo quisesse muito, tocaria pra pessoas sentadas. E, no mais, era disse-que-disse. Ele entrou e, aos poucos, foram levantando. Nem todos, permaneciamos nos vigiando, "não levante senão eu não vejo, quero ver João Gilberto". Mas ele, Marcelo, pouco ligava pra essa questão. O que foi lindo foram as cantorias. Músicas minimalistas, arranjos sensacionais, uma partifipação especialíssima, segundo o próprio. Quando da terceira música, anunciou que ia convidar alguém que encantou todo mundo, alguém que, segundo o próprio, mudou a forma dele ver a música, que mudou a forma dele ver a vida! Ela entrou correndo pra os braços dele: Mallu Magalhães. Que coisa bonita de ver aquele abraço. Foram 5 minutos de abraços e lágrimas, no mínimo, que todos vimos, da parte dela. Aliás, alguns vão sempre torcer contra toda e qualquer coisa que possa aparecer. Se for gozável, melhor ainda pra gozarem. Mallu é livre na música, se arrepia e fica algo que tímida. Faz as caras que ela faz - e que são longe de um teatro -, e quem são os urubus de sempre, sempre estão por ali pra apontar e dizer: que menina boba! Eu digo que não sou jovem o suficiente pra ser como ela é. Passando por ela, não incólume, vamos com Marcelo revezando com Marcelo e sua banda. Minha memória ruim não me deixa dizer o nome da banda que o acompanhava. Num momento sozinho, cantava e disse: "a melhor parte da música é quando vocês cantam, vocês tão cantando todas...". Ainda ouvi, ao longo do show, absurdas coisas do tipo: "que povo mal educado, canta o show inteiro!", mas o próprio chorou ao ouvir os aplausos, os gritos e as cantorias. E "morena"? Ao violão. Acho que foi menos de um minuto de música, mas que música linda foi essa! Tocou o programado e pensamos, no mínimo, eu e ele, numa pequena digressão ao roteirizado, e ele acabou tocando uma de improviso (que não estava no repertório), ele e o violão. Foi embora mas voltou pra alguns bis. Encerrou com um frevo lindo do cd novo, homenagem. Posso estar exagerando, mas umas 2.500 pessoas cantavam cada linha de cada música que Marcelo cantava.
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Foto: Miguel Solano
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