É correr o risco de ser parado, alguém que diz, com uma autoridade comprada: - Qual é a bronca? - Olha rapaz, não há bronca, mas pode haver, podemos arranjar uma. Ouvir aquilo, responder isso, ou nada, mas correr o risco de, se não for suficiente a resposta, não termos mais nada a não ser o que criamos agora, nada eterno, nenhum rosto, nem foto, nem nome, nem identidade, nem riscos, nem passado, nem dor, nem alegria, uma frieza como o Deus de Espinosa, num primeiro minuto. Talvez, nas primeiras horas e nos primeiros meses. Nada pra apresentar, a não ser o que fazemos neste instante. Nada de fotografias, quiçá, nada de identidade, nada de refúgios tranquilos. Também, nada de passado. Sempre ter a capacidade de recordar, porque nada pode ser assim, tomado. Pensamentos roubados. Mas o importante será não querer mais lembrar, ou, não precisarmos. 

Amor, temos tudo novo pra inventar.
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