"Pois é como se não quisesse realmente entrar em contato com tais pensamentos. Faz as anotações, mas é como se fossem só rascunhos. Sempre como se tivessem que permanecer momentos. Algo assim, como um livrar-se, como se, agora, sem os pensamentos rodopiando, pedindo pra sairem, agora, escritos, se livrasse do compromisso de pensa-los. Pelo menos agora. Antes permanecessem aqueles papéis por ali, de repente como se permanecessem perto da vista. Como que podendo alcança-los. Mas não, movem-se pessoas demais nessa casa. Solto os pensamentos pelos cantos, como se alguém pudesse pegá-los. Como se o destinatário fosse qualquer um. Meus pensamentos são pensamentos de qualquer coisa, mas é como se fossem de socorro, codificações, na forma de uma generalidade qualquer, porém sempre escritos e deixados como que esperando alguém, não eu, mas alguém pegar novamente. Perdê-los. Sem meu endereço pra retorno. Deixa-os ou, melhor ainda, leve-os ou jogue-os - longe. Como se, além de endereçar a qualquer um, quisesse perder os pensamentos, as frases soltas dos programas da televisão. Endereço de quem ver primeiro, mas não necessariamente. Os pensamentos são soltos, largados em milhares de pedaços de papel, sempre móveis à procura de perder-se. Longe de mim."
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