domingo, 29 de junho de 2008

O Prazer Como Repressor

Diz-se que o sofrimento do masoquista é o preço que ele deve pagar para atingir o prazer. O prazer pela dor, pelo sofrimento. Há outra leitura possível e Deleuze & Guattari nos mostram isto. Contra-tese a respeito do masoquista: "O sofrimento do masoquista é o preço que ele deve pagar, não para atingir o prazer, mas para desligar o pseudoliame do desejo com o prazer como medida extrínseca. O Prazer não é de forma alguma o que só poderia ser atingido pelo desvio do sofrimento, mas o que deve ser postergado ao máximo, porque seu advento interrompe o processo contínuo do desejo positivo. Acontece que existe uma alegria imanente ao desejo, como se ele se preenchesse de si mesmo e de suas contemplações, fato que não implica falta alguma, impossibilidade alguma, que não se equipara e que também não se mede pelo prazer, posto que é esta alegria que distribuirá as intensidades de prazer e impedirá que sejam penetradas de angústia, de vergonha, de culpa." O desejo ocupa-se de si. O sofrimento impede o prazer (o masoquista diz: "que bom!") para manter-se a alegria do desejo positivo. "A renúncia ao prazer externo, ou sua postergação, seu distanciamento ao infinito, dá testemunho, ao contrário, de um estado conquistado no qual ao desejo nada mais falta, ele preenche-se de si próprio e erige seu campo de imanência." O desejo não visa ao prazer. "O prazer é a afecção de uma pessoa ou de um sujeito, é o único meio para uma pessoa 'se encontrar' no processo do desejo que a transborda; os prazeres, mesmo os mais artificiais, são reterritorializações. (...) O orgasmo é apenas um fato, sobretudo incômodo em relação ao desejo que persegue seu direito."
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