É mais uma história, a que eu narro hoje, às 5h00. É sobre a sincronicidade ser possível. Houve sincronicidade essa madrugada. O tipo de sincronicidade que só é possível por causa de comunicadores tipo msn, tipo orkut, tipo rede como a internet. Jung adoraria a Internet como é hoje. Fácil de encontrar-se, é mais fácil haver encontros felizes. E só narro essa sincronia porque acredito que esta se realizou dado um desencontro. E eu digo que tudo isso é muito maior que um momento, é algo que se arrasta a vários meses ou anos. Tanto a sincronia quanto o desencontro, cada um a seu tempo, não é coisa que surge num momento. Não é abiogênese, tem toda uma história, como se fosse uma genealogia, uma teleologia - das leves. Eu caí num sincronismo, na quinta-feira, bastante infeliz pra mim, mas, como já dito aqui, que já vinha se mostrando. Foi sincrônico pois eu estava quando ela estava, no mesmo momento, no mesmo lugar. Tem um ou outro pequeno desencontro nesse encontro maior, mas, no fim das contas, vai dar tudo num grande desencontro. E que maravilha, porque seria terrível a infinitude. Mas evitar a tristeza é coisa que não faria. O momento da tristeza é momento bom pra vivenciar, mas vivenciar sozinho talvez não seja tão prazeroso. E, sem pensar nisso, na solidão de viver a tristeza sozinho, eis que surge de onde eu não espero um "Tudo bem bonito?". Assim, sem vírgula. Aí eu coloco e tiro a vírgula, colocando no mínimo dois sentidos diferentes, e eu digo que esse movimentar a vírgula, fazê-la tornar-se vizível e depois invizível, foi gostoso. Eu me encontro com ela. Simplesmente uma sincronia maravilhosa. Foi um surgir fulminante, longe de qualquer coisa discreta que tenha sonhado um dia com a discrição. A sincronia existe, porém não surge do nada. Tem uma história, que surge de uma sincronia de outras histórias. Sempre remetendo infinitamente, até a contingência. Até a pura coincidência. Mas esta, sincrônica. Mas o tema aqui não é genealogia - pro inferno com a origem das coisas! -, é a própria noção de encontro. O objetivo aqui é discorrer sobre o prazer, sobre a alegria e até sobre o amor que surge num momento como esse. A sincronia que trás a Paz. Aí, nesse encontro, produção, desejo, vinho, paz, alegria, cartas, cheiros, vídeo, música, roteiros, Deleuze e até Artaud. Inspiração não é outra coisa senão ressonância. Ressoou. Gritou. A produção é elástica e deliciosa.
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