quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Sono da Razão Produz Monstros

Eu estava lendo hoje, quarta-feira, um resumo da vida e da obra de Espinosa e me deparei com a questão da Razão no texto que lia, onde esta surge em sua obra justamente contra irracionalismos e o que ele chama de Superstição. Seu problema era político e ontológico. Só chamo atenção a sua obra, de maneira rasa aqui, porque esse tema da Razão é o que eu gostaria de reivindicar agora. Os monstros criados do sono da razão, não posso deixar de apontar, são bons monstros. Ao estranhamento que surge da vista de elementos não esperados, não fazê-lo correr, deixar o estranhamento aí. A razão não deve ser o principal instrumental de defesa contra a ilusão, antes, o gesto de desconfiar da própria razão vale mais. Achei uma frase interessante num texto de Deleuze sobre isso, quando cita, de maneira não-literal, outro autor: "no apelar a la razón para disipar las ilusiones de las que usted ha sido victima, sino desconfiar de las ilusiones que la razón como razón engendra" (Deleuze em "Curso Vincennes: Kant, el tiempo, Nietzsche, Spinoza - 13/12/1983").
.
Imagem: "O sono da razão produz monstros" de Francisco de Goya.
.