quinta-feira, 5 de junho de 2008

A Minha Confissão

Lembro dos meus sei lá quantos anos, eu fui me confessar. Fui obrigado a me confessar, na verdade, foi uma primeira comunhão. Que primeira comunhão falsa. Não dividi. A verdade já o era antes de mim, inclusive. Eu roubava chicletes das lojas americanas, mas roubava-os com a minha avó até. E eu não me confessei por tudo. A confissão do pecado é sempre libertadora, porém a verdade da confissão é sempre quebrada. Eu nunca me libertei de me confessar porque nunca confessei a verdade. A verdade é sempre pela metade, ou menos que isso até. Sempre. E a confissão nunca vem. É o impossível. Teríamos uma confissão sempre fora das malditas palavras. Teríamos o nosso avesso numa confissão de verdade, da verdade. Eu vou sempre me confessar mas nunca será a verdade. Só uma verdade quebrada. Talvez eu sempre me confesse, prá sempre! Pois quase nunca sei da verdade que quebrou-se já antes.
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