quinta-feira, 19 de junho de 2008

Da Impossibilidade de Trocar

Acho difícil ela ter sido trocada. É o tipo de coisa vil de se dizer dela. Se eu posso falar tipo, ela é o tipo de mulher que não se troca. Teve um dia, mas nunca se trocará, pois, na verdade, nunca foi realmente de ninguém, sendo, na verdade, que só teve quem ela deixou ter. Ela é impossível de possuir e, com certeza, quem ela disse sim, a possuiu. Ela é impossível de trocar, nunca foi de ninguém, realmente, de ninguém. Quando a maneira de falar é jeito de dizer, só. Nunca, uma mulher assim, nunca, será trocada. É impossível tal operação, é impossível. Ela nunca foi trocada pois capturá-la, mesmo quando se dá, quando ela deixa e dá, não é da competência de ninguém. Nem precisa falar da substituta: Da impossibilidade de ser trocada, fala-se também da impossibilidade de botar outra no lugar: é impossível. Só se troca realmente uma coisa quando não se fica de mão fazia, senão, perde-se. O que, provavelmente, foi o caso. Ela não foi trocada, foi perdida. Se bem que só se perde o que se teve, o que não deixa de ser verdade no caso dela, mas ela foi perdida sem nunca ter sido possuída de fato, permanece no horizonte, diz-se que houve troca, mas dizem tanta coisa, a troca é impossível, a perda sim, é possível. Apesar de ambas as coisas precisarem um dia ter tido, o que não impede o fato da brincadeira do que digo... e o que, sem dúvida, não impede a impossibilidade da troca, coisa vil esta.
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