quinta-feira, 6 de março de 2008

Subjetividades Capitalísticas

Pensar que você tem uma subjetividade capitalista é assumir que todos os caminhos e descaminhos do capitalismo mundial, em suas especificidades locais e etc, em seus micro-facismos-familiares e parentais estão marcados em você como sujeito. Toda a noção de tirar vantagem, usar o outro, substituições relacionais constantes e rápidas, consumismo é CULTURAL. A Cultura não é qualquer coisa senão uma cultura capitalista. Sem jargão, sem dramas e sem sentidos pejorativos-partidários.
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É refletir que você se guia "internamente" em comunhão com a organização política mundial. Todos os processos realizados em você caminham nas trilhas multidimencionais das organizações macro. A família é família de capitalismos. A socialização do indivíduo é socialização em termos de aquisição de valores de Capital.
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Umas palavras sobre determinismo: Os processos de "escolha de identificação" no desenvolvimento dos sujeitos não são objetivos, porém Inconscientes. Sendo Inconsciente, não podemos falar em sobredeterminação social radical - completa - dos individuos. Estes traçam, sem dúvida, um caminho "autoral". Mas, dada a imersão radical dos sujeitos na Cultura Capitalista, não há desterritorialidades permitidas. Todos os tráfegos são nas multiplicidades de antemão dadas! Isso fica meio complicado, refutável e confuso, mas seria por aí...!
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O que resta a fazer é não negar essa Subjetividade Capitalista, porém agrupar sentidos outros ou até transmutar-se em algo novo, abrindo-se às reviravoltas inconscientes. Um outro mundo - ou uma outra forma de viver - é possível. De alguma forma, nunca saberei exatamente como, é possível, de forma qualitativa, mover-se deste sistema em direção à algo onde o ato de SER humano seja diferenciado dos valores do Capital.
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Negar-se inscrito nesse processo de subjetivação radical e diária é alienar-se. Alienar-se é vestir o cinismo mesmo, com gosto. O lance todo é admitir-se nisto... Sabe a noção de responsabilidade que eu escrevi antes? Bem por aí. Tem que assumir as suas responsabilidades e não negar suas esquizofrenias. Se veja em erro! Assuma! Queira mudar*!
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Tudo aqui se resume ao mínimo de "otimismo" que se pode ter sem vestir completamente a couraça da mentira e da farsa. NÃO ACEITAR SER CÍNICO. Não aceitar ser MAIS UM CÍNICO solto por aí.
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Poder ir até o front.
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NOTA: *"querer mudar" no sentido não radical de "querer é poder". Ponto já discutido anteriormente em outros Posts.
PS: Uso o termo "Subjetividade" de uma maneira provisória, pois o próprio termo significa algo como uma individualidade que nós temos, quando na verdade tento ampliar e desdobrar os muros de nós todos - que na verdade não existem - e imbricar TUDO e TODOS em multiplicidades, em acoplamentos, em agenciamentos coletivos, não numa individualidade/subjetividade que segue em encontro com outras individualidades/subjetividades e com Coisas.