quarta-feira, 5 de março de 2008

O Facismo da Marcha em Direção ao Progresso

Provavelmente já ouviram falar em MARCHA em direção ao PROGRESSO. Agora vale a pena problematizar essa noção de MARCHA. Geralmente este termo é usado em pontos de vista que têm como primeira premissa a noção de evolução das espécies, ou melhor dizendo, um ponto de vista darwinista.
.
Adoro Darwin falando de bichinhos. Mas não me venha falar de nada que seja lúdico, próprio do ser humano ou mais objetivo, como organização social e política, se utilizando desse paradigma caduco.
.
Falam de política por essa ótica, e o resultado é sempre Facista. Aqui cabe entender facismo como super-repressão totalitária. Como obrigar o sujeito a dizer. Não só calá-lo. Vale MUITO entender Facismo aqui de modo macro e de modo micro. Pense nisso...
.
Agora pense em uma união em marcha que é admitida como premissa fundamental de todo e qualquer progresso. O progresso - e eu nem acredito nisso* -, nessa ótica evolutiva, vem com uma ORDEM, ou seja, com uma MARCHA. A metáfora da marcha é a de todos caminhando igualmente. São modelos de conduta repetidos em todos os indivíduos. É excluir e destruir qualquer referência à DIFERENÇA. Pense em extermínio. Forte né? Pode ser num sentido metafórico ou, infelizmente, num sentido concreto!
.
A marcha obriga os sujeitos a excluirem cadências diferentes, trejeitos diferentes e caminharem todos IGUAIS. Essa igualdade aí eu dispenso. Pois igualdade como essa é repressiva-policial e anti-libertária.
.
O progresso - e eu NÃO acredito nisso* - não teria uma via de mão única! Pensar em linhas evolutivas é danoso às diferenças que podem estar emergindo ali. A natureza política resiste, mas pode NÃO se comportar como o que aparentemente Darwin viu na natureza. A política pode ser forçada a aceitar os mais fracos - as minorias. Na natureza só os mais fortes sobrevivem? Pode até ser, mas na minha visão de mundo e de homem temos que lutar e, sendo minorias, sendo mais fracos, co-existir com Poderes que não querem ceder à nós.
.
Arbitrariamente, na natureza linguajeira humana, querem nos nomear como Fracos e nos conduzir - por estarmos fora da MARCHA - à pressão da seleção - que nada tem de natural.
.
Não à metáfora da marcha em direção ao progresso. Não ao progresso. Não às linhas retas. Não à ordem, pois, a pergunta é: "que ordem?". Não à idéia de evolução fora dos macaquinhos e insetos.
.
NÃO.
.
NOTA: *O progresso é uma irrealidade no seu sentido último pois se trata de idealismo e metafísica. Só há progressos momentâneos, mas que daqui a minutos podemos ver se tratando de des-progressos. Então admitindo um ponto de vista macro, a história tem caminhos multiplos, dependendo de quem vê. Não há progresso. Há versões. Não há linha progressiva. Há redes múltiplas.