A questão de filiação é dogma agora? Tipo... Acredite, aceite. Não questione pois é Verdade? Ah não... É preciso urgentemente abrir-se pra essa discussão. Não há modelo que o Desejo respeite. Há milhões de alvos diferentes pra o Desejo. Foi difícil na última discussão que me meti ouvir como dogma que a "manutenção de laços duradouros" era um tipo de evolução. Não foi exatamente esta palavra - evolução -, mas foi no meio de um tópico sobre maturidade, ou seja, dada a evolução, os humanos tendem a se equilibrar e ficar juntos - tendem porque? Ha! Não vai dizer que é da espécie, que tá nos genes, vai? Então é melhor apertar aquele "x"zinho ali em cima e fechar essa janelinha, viu?
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Foi assim, eu estava criticando o desfecho moralista do filme "Deite Comigo" (já comentado aqui no Blog), quando a protagonista se transforma de uma mulher que corre atrás de prazer, sexo, sem amor, sem ligações afetivas para uma vida estabilizada, onde se entrega ao amor romântico e familiar. Eu disse no momento da discussão que, dada a proposta inicial do filme, houve uma virada conservadoríssima. E, como meio de mídia para grandes públicos, uma virada dessas num filme não é só uma historinha de uma mulher que encontra o amor, é uma bandeira a favor do familiarismo, do moralismo, do [mito do] amor romântico e - automaticamente, necessariamente - uma patologização de outros meios de relacionar-se com o outro. Outros tipos de união, numa virada moralista desta, são considerados desviantes.
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Mas mesmo assim não se dá ouvido pra uma bandeira que deve ser levantada. A união de gente com gente não deve seguir um padrão de papai-mamãe-filho-filha. Isso é ridículo e inscrito. A grande coisa é que, como circunscrito historicamente, esse modelo é passível de transformação. Porém a resistência dos que detêm os interesses nesse modelo se move como Máquinas de Guerra [tipo de incursão militar - ou paramilitar - com táticas de guerrilha, movimentos surpreendentes, etc.] e, movendo-se como máquinas de guerra, se tornam virtualmente difíceis - ou impossíveis de combater. O controle das pessoas é SOCIAL, porém o controle é sobretudo MOLECULAR. As subjetividades cuidam umas das outras. Por isso são como máquinas de guerra, pois cada singularidade guarda em si o olhar massacrante da moral. Cada um tem em si um policial ou vários policiais, e vangloriamo-nos destas castrações, destas repressões do desejo. Viva a doença.
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Situação: Um profissional [de psicologia], alguém que está se comprometendo a dar autonomia para as pessoas, está vendendo um valor que é seu, ou melhor, que é de um momento histórico definido e orquestrando outras subjetividades que, uma vez perdidas, foram pedir sua ajuda.
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Como é possível organizar, reorganizar os agenciamentos coletivos para pulsarem em outros terrenos - outro mundo é possível! -, para uma revolução sócio-histórica-cultural, se dentro de cada um de nós há um policial olhando para si e olhando para o outro? Que meio sujo de controlar uma revolução, de dentro! Fode-se o movimento de dentro! Nos fudemos de dentro e ainda gostamos de sermos fudidos...!*
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Só não venha querer me convencer de que o caminho pra felicidade é tua cena de comercial de margarina...!
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NOTA: Eu vou dedicar outro post à possibilidades de RESISTÊNCIA.
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POST SCRIPTUM: São vários os assuntos debatidos aqui. Um deles é que não deve haver modelo, em cada nova situação, criemos modelos novos - provisórios, sempre. Criação é a palavra chave dessa problemática. Desejo é causa bastante para criação. Não há autorizações possíveis. O modelo é não ter modelo, por mais paralaxe cognitiva possa haver aqui. Esse é o caminho! (Se tem que se dar viva, que seja à ironia).
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