Eu trago uma canção como um chicote dançarino. O leão velho já cansado de saltar, já cansado de não morder, já cansado de rugir. Diz que as canções são doentes, que fazem chorar, que fazem ranger, estalar. São móveis velhos, móveis no frio. Velhos e no frio. Não sou como um elefante, não me afasto. Ofereço o meu rosto aos retratos, copiem meu rosto imóvel no frio. Velho e frio rosto que não mais sente mas que ainda ofereço. Arregaço a minha boca, tenho metades de dentes. Todos doem. Não como mais como você, a dentadura cheia. Eu engulo tudo, arregaço a minha boca e chupo o que vier. Velho arregaçado. Dentes podres, velhos, doloridos, que não se vão como elefantes. Meus dentes são sedentários são pedras são pedras doloridas e podres e velhas e frias. Eu canto com a boca arregaçada a dor dos meus dentes.