A lei seca no Brasil ordena praticamente nem um gole de álcool. Quem for pego dirigindo acima do limite pobre que é permitido, vai preso. Mas... e quem está no carro, juntamente com o contraventor? Crime de conivência. Deixaram o cara dirigir, afinal de contas. Ninguém, numa situação normal, é obrigado a entrar no carro junto com um pré-criminoso. Se for obrigado, aí já é sequestro, a coisa piora. Quem estava ao lado não impediu e bem soube que o motorista-criminoso bebera mais que um gole de álcool, logo, poderia anteceder o enquadre nesse crime de trânsito. Ou se deixa o namorado/a cometer um crime sozinho/a, ou se embarca junto e viva o amor nas horas ruins também, crime conjunto. O que vemos aqui é a passagem do poder policial, de repressão, do estado, às mãos das nossas namoradas, namorados, amigos, irmãos, pais, etc. Vemos a criação de uma força repressiva infiltrada na micropolítica cotidiana, na microvida que levamos e que tentaríamos esquecer e deixar de lado um pouco a certeza da existência de um estado policianesco lá fora. Mas não, a fim de não cometerem um crime, as pessoas serão obrigadas pelo estado - por suas leis, etc. - a "denunciarem o companheiro".
