segunda-feira, 5 de maio de 2008

Devir, Devires

"Devir", segundo Deleuze:

"Devir é nunca imitar, nem fazer como, nem se conformar a um modelo, seja de justiça ou de verdade. Não há um termo do qual se parta, nem um ao qual se chegue ou ao qual se deva chegar. Tampouco dois termos intercambiantes. A pergunta 'o que você devém?' é particularmente estúpida. Pois à medida que alguém se transforma, aquilo em que ele se transforma muda tanto quanto ele próprio. Os devires não são fenômenos de imitação, nem de assimilação, mas de dupla captura, de evolução não paralela, de núpcias entre dois reinos."

"Devir", segundo François Zourabichvili:

"Devir é uma realidade: os devires, longe de se assemelharem ao sonho ou ao imaginário, são a própria consistência do real. (...) Não se abandona o que se é para devir outra coisa (imitação, identificação), mas uma outra forma de viver e de sentir assombra ou se envolve na nossa e a "faz fugir". (...) Devires-criança e devires-mulher parecem assim levar a mais longe do que os devires-animais, pois tendem para um terceiro grau onde o termo devir não e nem mesmo atribuível, para uma "assignificância" que não se presta mais ao menor reconhecimento ou à menor interpretação, e onde as perguntas "o que se passa?" "como vai isso?" assumem uma ascendência definitiva sobre "o que isso que dizer?": não a renúncia ao sentido, mas, ao contrário, sua produtividade, numa recusa da confusão sentido/significação e da distribuição sedentária das propriedades. Esse terceiro grau, embora não haja aí nem progressão dialética nem série fechada, chama-se "devir-intenso", "devir-molecular", "devir-imperceptível", "devir-todo-mundo""

Talvez vá dando pra entender a expressão usada por demais neste Blog: Devir-Revolucionário.
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