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[Este Post é dedicado a responder um comentário de um Post anterior, chamado "Familia [s] ! ou ?". Se for o caso de alguém ficar curioso ou achar que vai entender melhor este escrito, remeto ao comentário do Post citado.]
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Primeiramente, temos esta passagem:
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"Temos que entender que há sim algumas tedências e principalmente estas históricas-políticas-sociais nos influenciam e sempre nos influenciarão, que não adianta fugir disso porque isso sim seria um surto, ou seja fazemos parte de uma sociedade que depende de uma cultura e indepedente de onde essa está ou para onde vai, sejamos contra ou a favor, estaremos sempre nela. É como o rio podemos estar no curso contrário ou a favor dele mas estamos sempre nele, porque se sairmos dele morremos entende?"
"Temos que entender que há sim algumas tedências e principalmente estas históricas-políticas-sociais nos influenciam e sempre nos influenciarão, que não adianta fugir disso porque isso sim seria um surto, ou seja fazemos parte de uma sociedade que depende de uma cultura e indepedente de onde essa está ou para onde vai, sejamos contra ou a favor, estaremos sempre nela. É como o rio podemos estar no curso contrário ou a favor dele mas estamos sempre nele, porque se sairmos dele morremos entende?"
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Pra iniciar, quero trazer uma passagem de Paulo Freire. Ele trás em "Pedagogia da Autonomia" algo que seria mais ou menos assim: "Somos condicionados mas não somos determinados. Todo fatalismo é conservadorismo de Poder e movimento de repressão às mudanças. E isso interessa aos poderosos".
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Entendo a metáfora do Rio-que-corre, de não podermos estar FORA. Mais claramente: A possibilidade de não podermos estar fora da Cultura é nula - será mesmo?. E que a Cultura é familiar - no mínimo, hegemonicamente. Mas isso (a Cultura) não pode ser modificado para se ampliar para outros modelos (ou: Furar a Cultura)?! Como não poderia? Como a possibilidade de resistir deve ser tomada como suicídio - tipo sair do Rio-que-corre e morrer? COMO?
Entendo a metáfora do Rio-que-corre, de não podermos estar FORA. Mais claramente: A possibilidade de não podermos estar fora da Cultura é nula - será mesmo?. E que a Cultura é familiar - no mínimo, hegemonicamente. Mas isso (a Cultura) não pode ser modificado para se ampliar para outros modelos (ou: Furar a Cultura)?! Como não poderia? Como a possibilidade de resistir deve ser tomada como suicídio - tipo sair do Rio-que-corre e morrer? COMO?
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A possibilidade de resistir, de escrever em outros códigos - que não os culturais dados - é Real. Existe oposição possível que não seja SURTO. Há a possibilidade de DESTERRITORIALIZAÇÃO, que necessariamente trás em seu movimento outras possibilidades de TERRITORIALIZAÇÃO - ou seja, há possibilidade de mudança, ainda que essa mudança seja incorporada pela Cultura e chamada agora de Cultura também. O movimento de codificação dos fluxos é elástico (Isso sem esquecer que o próprio surto deve ser considerado como movimento de protesto à totalitarização da Cultura Hegemônica, sem valores negativos).
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NUNCA a Cultura é IMÓVEL.
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Eu disse antes "Não há modelo que o Desejo respeite. Há milhões de alvos diferentes pra o Desejo." O Desejo certamente circula na Cultura dada, mas a infinidade de viradas criativas do Desejo pode encontrar alvos que sejam desviantes. Como eu disse antes "Outros tipos de união (...) são consideradas desviantes." Sendo desviantes e o sujeito não querendo abdicar do Desejo, só restam duas opções: Ou se vive como desviante ou se luta pra sair do gueto e conquistar espaço social dentro desta cultura, ou seja, revolução cultural. Criar novas possibilidades de Cultura. Resistir ao conservadorismo QUE NÃO QUER, QUE REJEITA uma tomada de posição NOVA, REVOLUCIONÁRIA, que modifique suas instâncias de PODER.
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Então eu diria agora "Não só não há modelo que o Desejo respeite, que há milhões de diferentes alvos para o Desejo, como o Desejo não deve deixar de ser criativo em favor da castração, esse mito conservador".
Então eu diria agora "Não só não há modelo que o Desejo respeite, que há milhões de diferentes alvos para o Desejo, como o Desejo não deve deixar de ser criativo em favor da castração, esse mito conservador".
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Sem dúvida, o paradigma do comercial de margarina existe e deve ser valorizado como existente Real. O complexo de Édipo também existe. A castração ocorre milhares e milhares de vezes. Mas eu nunca vou perder de vista a inscrição histórica disso. Pode parecer óbvio e simples, mas encarar essas coisas como construções sociais, históricas, políticas, religiosas, econômicas, étnicas e não como lugar derradeiro detentor de um status ontológico-existencial para a situação do homem encarnado - ou seja, não adotar esta Ética Metafísica - trás uma diferença RADICAL pra discussão.
Sem dúvida, o paradigma do comercial de margarina existe e deve ser valorizado como existente Real. O complexo de Édipo também existe. A castração ocorre milhares e milhares de vezes. Mas eu nunca vou perder de vista a inscrição histórica disso. Pode parecer óbvio e simples, mas encarar essas coisas como construções sociais, históricas, políticas, religiosas, econômicas, étnicas e não como lugar derradeiro detentor de um status ontológico-existencial para a situação do homem encarnado - ou seja, não adotar esta Ética Metafísica - trás uma diferença RADICAL pra discussão.
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Se for destinação fatalista ser castrado e ter desejos pelo teatrinho do Édipo, então é melhor ou se conformar ou morrer. Como eu encaro tudo isso pelo ponto de vista Construtivista, então a possibilidade de me opor, de encarar, de resistir à esses modelos tradicionalistas, é possível. Não só entendo como possível mas como um movimento importante de desalienação. Quem quiser vir junto, que venha.
Se for destinação fatalista ser castrado e ter desejos pelo teatrinho do Édipo, então é melhor ou se conformar ou morrer. Como eu encaro tudo isso pelo ponto de vista Construtivista, então a possibilidade de me opor, de encarar, de resistir à esses modelos tradicionalistas, é possível. Não só entendo como possível mas como um movimento importante de desalienação. Quem quiser vir junto, que venha.
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Eu critico uma tomada de posição CENTRALISTA, UTÓPICA. Eu sou a favor da multiplicidade. Sou também, ao mesmo tempo, a favor da crítica a um modelo cultural. Devem haver MODELOS. Devem haver diferentes formas de existir. Meu inimigo é quem quer univocizar uma manifestação desejante que é explicitamente múltipla. Sempre será. Mas estão aí duas problemáticas diferentes.
Eu critico uma tomada de posição CENTRALISTA, UTÓPICA. Eu sou a favor da multiplicidade. Sou também, ao mesmo tempo, a favor da crítica a um modelo cultural. Devem haver MODELOS. Devem haver diferentes formas de existir. Meu inimigo é quem quer univocizar uma manifestação desejante que é explicitamente múltipla. Sempre será. Mas estão aí duas problemáticas diferentes.
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A primeira é como sujeito ativo no universo político nosso de cada dia. Aí sim eu escolho de quem discordar. Escolho radicalmente. Escolho - como já disse - quem quer manter ou contruir modelos culturais utópicos - onde só há um modo de viver. Isso tem que ser bem entendido. Você pode viver como quiser, criar a comunidade de margarinas felizes onde quiser, só não deve esmagar o desejo de outros a favor de uma tendência Cultural linear, onde há uma Ética Universal Metafísica e, quem estiver fora desta Ética, quem tiver outra conduta social, é um ERRANTE. Recebe o status de desviante, de errado, de marginal.
A primeira é como sujeito ativo no universo político nosso de cada dia. Aí sim eu escolho de quem discordar. Escolho radicalmente. Escolho - como já disse - quem quer manter ou contruir modelos culturais utópicos - onde só há um modo de viver. Isso tem que ser bem entendido. Você pode viver como quiser, criar a comunidade de margarinas felizes onde quiser, só não deve esmagar o desejo de outros a favor de uma tendência Cultural linear, onde há uma Ética Universal Metafísica e, quem estiver fora desta Ética, quem tiver outra conduta social, é um ERRANTE. Recebe o status de desviante, de errado, de marginal.
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A segunda coisa é que, considerando profissionais de psicologia, pedagogia, qualquer coisa que mexa com gente, eu não acho possível aceitar a possibilidade de "Cada um vende o seu valor sempre, em comerciais de margarina, em filmes moralistas e até em blogs!". Cada um vende o seu valor onde? Quem é esse vendedor? Se for uma CLÍNICA de arrecadação de novas margarinas, considero isto um posicionamento clínico gravíssimo e grotescamente anti-ético! Se for na sua casa, na sua familia, no seu Blog... Bom, ótimo pra você! Mas não deixo de criticar NUNCA - e de maneira bastante enfática - um Psicólogo Clínico Vendedor. Abre um espaço pras pessoas e... fecha esse espaço para a transformação, para a crítica e para a criatividade, a favor de fazer novos adeptos da sua ética. Viva o grotesco! Viva o fiteiro psicológico de valores conservadores e de ideais éticos-metafísicos.
A segunda coisa é que, considerando profissionais de psicologia, pedagogia, qualquer coisa que mexa com gente, eu não acho possível aceitar a possibilidade de "Cada um vende o seu valor sempre, em comerciais de margarina, em filmes moralistas e até em blogs!". Cada um vende o seu valor onde? Quem é esse vendedor? Se for uma CLÍNICA de arrecadação de novas margarinas, considero isto um posicionamento clínico gravíssimo e grotescamente anti-ético! Se for na sua casa, na sua familia, no seu Blog... Bom, ótimo pra você! Mas não deixo de criticar NUNCA - e de maneira bastante enfática - um Psicólogo Clínico Vendedor. Abre um espaço pras pessoas e... fecha esse espaço para a transformação, para a crítica e para a criatividade, a favor de fazer novos adeptos da sua ética. Viva o grotesco! Viva o fiteiro psicológico de valores conservadores e de ideais éticos-metafísicos.
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A clínica deve ser mantida - o que eu considero ético - fora destes espaços de alienação. O sujeito deve ser devolvido para onde ele acha que deve ser devolvido. Cabe ao profissional se aproximar dum sujeito em clínica e se afastar o quanto antes. Não deve haver nunca uma evangelização psicológica moralista.
A clínica deve ser mantida - o que eu considero ético - fora destes espaços de alienação. O sujeito deve ser devolvido para onde ele acha que deve ser devolvido. Cabe ao profissional se aproximar dum sujeito em clínica e se afastar o quanto antes. Não deve haver nunca uma evangelização psicológica moralista.
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Até agora não dei exemplos, mas pensar um grupo de pessoas que quer revolucionar as concepções de relações amorosas e, por causa disto, não conseguir espaço social que não seja marginal, de gueto, por conta justamente de uma concepção marginalizante da diferença... é para além do lamentável. É repugnante politicamente!
Até agora não dei exemplos, mas pensar um grupo de pessoas que quer revolucionar as concepções de relações amorosas e, por causa disto, não conseguir espaço social que não seja marginal, de gueto, por conta justamente de uma concepção marginalizante da diferença... é para além do lamentável. É repugnante politicamente!
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POST-SCRIPTUM: Onde não tem nenhum enunciado fantástico é neste texto. É quase a repetição de um outro publicado neste Blog (mais especificamente, o que é motivo desta "resposta"). Além de uma ou outra passagem polêmica, mais pela própria maneira de escrever, escrevi neste Post um lugar comum típico do discurso de alguma minoria. A diferença que perpassa aqui toda hora é o meu pé que finca/bate num ponto do qual não cedo: a necessidade de se ampliar os espaços - os territórios - onde sujeitos podem habitar - se assim desejam. Esse discurso típico eu faço questão que ganhe espaço e/ou ressonância. Quem está numa posição de ter que reivindicar seu espaço sabe bem do que se trata. E digo mais, pra os esclarecidos, essa reivindicação não é nenhum projeto extraordinário. Digo agora para todos: esse espaço reivindicado está sendo e vai ser conquistado cada vez mais. A reunião de desejos ganha.
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POST-SCRIPTUM: Onde não tem nenhum enunciado fantástico é neste texto. É quase a repetição de um outro publicado neste Blog (mais especificamente, o que é motivo desta "resposta"). Além de uma ou outra passagem polêmica, mais pela própria maneira de escrever, escrevi neste Post um lugar comum típico do discurso de alguma minoria. A diferença que perpassa aqui toda hora é o meu pé que finca/bate num ponto do qual não cedo: a necessidade de se ampliar os espaços - os territórios - onde sujeitos podem habitar - se assim desejam. Esse discurso típico eu faço questão que ganhe espaço e/ou ressonância. Quem está numa posição de ter que reivindicar seu espaço sabe bem do que se trata. E digo mais, pra os esclarecidos, essa reivindicação não é nenhum projeto extraordinário. Digo agora para todos: esse espaço reivindicado está sendo e vai ser conquistado cada vez mais. A reunião de desejos ganha.
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